O Homem, as Necessidades e Objetivos

        “Levou-o, ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” Mt 4.8-9

 

       Na terceira vez o tentador instiga Jesus a buscar a glória do mundo, rejeitando a Deus, a busca pelo poder. Uma tentação no nível da necessidade de status. A resposta definitiva de Jesus, pela Palavra de Deus:

 

       “Então, Jesus lhe ordenou: retira-te Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o Diabo, e eis que vieram os anjos e o serviram.” Mt 4. 10-11

 

      Feito o adendo no mundo espiritual para explicar a veracidade da teoria motivacional de Maslow, volta-se, novamente, a questão da preferência pelo sistema de classes sociais. Reforça-se esta preferência através de uma comparação com outros sistemas de estratificação. Imagine-se o tempo das castas – um sistema de estratificação rígido e fechado, em que a posição social do indivíduo era herdada dos ancestrais. Nas castas não era permitido à ascensão social pelas qualidades, méritos ou realizações profissionais do indivíduo, como no sistema de estratificação em classes sociais.  Pode-se imaginar a opressão e as lutas de classes. Exemplo recente, a Índia, até 1950. O sistema de castas foi abolido, mas perdura até hoje em algumas regiões daquele país.

 

       Imagine-se, também, o tempo medieval - o feudalismo – as camadas sociais semifechadas, a estratificação estamental. Esse sistema apresentava alguns traços das castas, como a posição social herdada dos ancestrais. Todavia, em alguns casos era possível a ascensão social, ainda que difícil.

 

       Além do sistema de estratificação em classes sociais, os demais sistemas parecem contrários à natureza humana, a satisfação das suas necessidades e objetivos de vida. Pense comigo, temos a Bíblia Sagrada como manual de orientação e temos um sistema de estratificação social que permite a ascensão do indivíduo pelas suas qualidades, méritos e realizações profissionais, então, o momento é para estabelecer os objetivos – o que desejas alcançar? Pense com amplitude sobre a questão dos seus objetivos. Entretanto, cuidado com as tentações da vida, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Cuidado com as dúvidas lançadas sobre sua identidade. O modelo é Jesus.

 

       Imagine os esforços que Jesus desprendeu durante a sua jornada terrena. Jesus crescia e com o tempo ele tomava consciência da sua missão. Se o tempo da primeira vinda de Jesus fosse hoje, esteja certo, o Evangelho seria ensinado, e os objetivos alcançados. Afinal, Jesus é Deus, para os que creem. Ele não está sujeito a épocas, sistemas ou coisa alguma, assim, importa que a mensagem do Evangelho alcance todas as pessoas, seja das classes A, B, C... Vive-se a modernidade, passou o tempo do chicote e da foice. Então, faça a sua parte, mas use as armas de Deus. O dono da obra, Jesus. A todos, meus parabéns.

 

Manoel Lúcio da Silva Neto é mestre em Engenharia da Produção (Mídia e Conhecimento), a autor do livro, Cristologia ao seu Alcance.

 

       A preferência pelo sistema de estratificação em classes sociais, característico das sociedades capitalistas abertas, EUA e Brasil, em parte, pode ser explicada pela teoria das necessidades humanas. Apesar das inúmeras desigualdades do sistema, não seria compreensível conferir um tratamento igual para os desiguais. Exemplo, um indivíduo que semear em estudos e talentos não receberá o mesmo tratamento daquele que semear em outra direção, ou mesmo, não semear. Essa é uma lei do mundo espiritual com aplicação no mundo social, conhecida como lei da semeadura. O indivíduo que demandar esforços na direção do ensino terá uma ascensão social determinada pelas suas qualidades, méritos e realizações profissionais, a colheita.

 

       A grande vantagem do sistema de estratificação em classes sociais é a possibilidade da mobilidade social - a mudança de posição, de status, de uma pessoa (ou grupo). Aliás, sobre estratificação social entende-se a distribuição das pessoas e grupos de uma sociedade em camadas hierarquizadas. Verifica-se que as necessidades e objetivos dos indivíduos demandam uma mudança de posição, e nesse sentido a mobilidade social pode ser encarada como um movimento natural do ser humano. Essa mobilidade explica a preferência pelo sistema de estratificação em classes sociais - o mais adequado às necessidades das sociedades modernas. O indivíduo como elemento central.

 

       Abraham Maslow (1908-1970) formulou uma teoria sobre a motivação, conhecida como a hierarquia das necessidades de Maslow. Ele estudou a motivação humana como um processo dinâmico de integração dos fatores biológicos, psicológicos e sociais, concluindo que as ações do homem são em função das suas necessidades. Maslow percebeu que há uma ordem de prioridades entre as necessidades, classificadas em cinco categorias: fisiológica, segurança, sociais, status e autorealização.

 

       Transportando a teoria de Maslow para o mundo espiritual, pode-se verificar a veracidade das suas conclusões. Exemplo, a passagem bíblica da tentação de Jesus, Mt 4. 1-11.

 

O Espírito Santo levou Jesus para o deserto, a fim de ser tentado. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, Jesus teve fome.

 

      “Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se tu és Filho de Deus, manda que essas pedras se transformem em pães.” Mt 4.3

 

“Se tu és filho de Deus”. O tentador levanta dúvida sobre a identidade de Jesus, e depois a tentação no nível da necessidade fisiológica, pela fome. Porém, a resposta de Jesus, pela Palavra de Deus:

 

      “Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus.” Mt 4.4

 

       “Então, o Diabo o levou a Cidade Santa colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces nalguma pedra.” Mt 4. 5-6

 

“Se tu és filho de Deus”. Outra vez o tentador levanta dúvida quanto à identidade de Jesus, depois instiga Jesus a exaltar a si mesmo, a elevação do ego. Uma tentação no nível da necessidade de status. Também, a resposta de Jesus, pela Palavra de Deus:

 

         “Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás ao Senhor, teu Deus.” Mt 4.7